Moça morena com computador

No início de 2012, a agência DM9DDB publicou uma série pequenos vídeos batizados de Perfis Digigráficos, um estudo em forma de documentário com uma ideia para classificar os tipos de consumidores em ambiente digital.

Observando consumidores das mais diversas idades, classes sociais, sexos e frequência de usos, a agência dividiu os consumidores em cinco perfis, de acordo com o comportamento que tem em seu dia-a-dia em relação aos recursos digitais: quanto e como as pessoas os utilizam, quais são as suas intenções de consumo com elas e quanto eles moldam sua identidade.

A pesquisa deve ser observada e utilizada como um objeto de comparação do consumidor de hoje, em um estudo que visa antecipar tendências de consumo e as formas de abordagens com o consumidor.

Bonecos dos perfis digigráficos

Segundo ela, os Imersos são os consumidores que tiveram parte de sua identidade moldada pela tecnologia a partir do momento que tiveram acesso à ela, definindo e aprofundando seus interesses e vínculos com o mundo por meio dos recursos digitais, chegando ao ponto de criar personas diferentes (como os heterônimos da literatura), com linguagem, hábitos e maneiras de se expressar de acordo com o site, rede social ou plataforma em que está interagindo.

Diferente dos Imersos, os Ferramentados utilizam as tecnologias, mas não à idolatram, apenas as utilizam para facilitar suas tarefas cotidianas, mas podem muito bem viver sem elas.

O terceiro perfil são os Fascinados. Este perfil vê as tecnologias como ícones da modernidade e gostam de estar envolvidos com elas para parecerem antenados com as novidades do mundo.


Diferentes deles, os Emparelhados são os que se envolvem com a tecnologia tanto quanto os Fascinados, mas diferentes destes que primam pela aparência, os Emparelhados focam em sua utilização, fazendo da internet, celulares e computadores verdadeiras extensões de seus corpos, os utilizando para tudo, desde as tarefas mais simples como uma lista de supermercado, até as mais complexas, como o desenvolvimento de um software, por exemplo.

Por fim, os Evoluídos são as pessoas que já nasceram envolvidas com a tecnologia. Enquanto os outros quatro perfis anteriores reagiram as novas formas de utilizar os recursos digitais em suas vidas de diversas maneiras, os Evoluídos não precisaram se adaptar aos novos recursos, pois já cresceram interagindo com elas.

​​Hoje, seis anos após a publicação do estudo, os Perfis Digigráficos se mostram um importante parâmetro para a criação de uma comunicação eficaz quanto ao público a ser atingido. Mas é importante salientar que elas não são absolutas, é importante observar constantemente as mudanças que o público passa e estar ciente que, conforme o tempo avança, cada vez mais estes perfis vão se fundindo em um grande perfil que tem seu comportamento alternado de acordo com o momento em que o consumidor está.

Desde que começou-se a estudar os hábitos de compras, sempre se chegou a um mesmo ciclo de consumo: a identificação da necessidade real; a busca por informações sobre a compra desejada; avaliações das alternativas de compra, compra; consumo; avaliação e descarte (BLACKWELL, 2005) e com os recursos digitais não é diferente. Além de ser um meio para se consumir, também pode ser visto como o próprio consumo.

Após a inovação do Iphone, os consumidores passaram a economizar cada vez mais tempo realizando tarefas. Por exemplo, suponhamos que que você gostaria de saber a altura da Torre Eifell. Antes da popularização da internet, era preciso levantar, abrir uma enciclopédia e torcer para a informação estar ali, senão seria necessário buscar em outras fontes, como professores, bibliotecas, etc, podendo levar dias para se conseguir uma informação simples. Com a popularização da internet, bastava ir até a mesa de escritório, ligar o computador, conectar-se a rede e obter a informação em um site. Hoje, com o smartphone sempre ao alcance das mãos, já não é necessário nem se levantar e nem digitar a pergunta, basta perguntar a dúvida ao Google, a Siri ou a Cortana.

Ou seja, a partir do momento que um consumidor investe em um smartphone, ele está ganhando algo que lhe é muito mais valioso: tempo. Com a infinidade de aplicativos, cada vez mais tarefas vão lhe sendo cortadas e mais tempo vai lhe sendo “adquirido”.

Porém, é importante entender que não basta a tecnologia surgir para ela passar a ser utilizada. Há um processo de popularização de massa, educação de como utilizar e incorporação aos hábitos diários, que vão variar de acordo com a cultura, aceitação e necessidade do consumidor.
Se em 2012 foi possível delimitar 5 perfis digigráficos, é seguro dizer que, conforme as tendências de aumento de utilização dos recursos digitais, o consumidor vai passar por todos os perfis conforme for percebendo o valor em relação ao tempo que lhe é ganho com sua utilização. E esta pode chegar ser cíclica, conforme o momento de vida que o consumidor está passando.

Acompanhe o raciocínio: um Evoluído vai crescer em meio a tecnologia, mas o grau de proximidade que terá com os recursos tecnológicos vai depender do nível de permissividade dos pais e de seu nível de interesse. Se já é normal apertar teclas e interagir com telas e TV’s, que interesse terá um Evoluído utilizá-la?

Conforme amadurecer, ele pode se tornar um Imerso se descobrir redes sociais que o permitam se expressar de maneira que ele é bloqueado no ambiente real.

Se por natureza o Evoluído já está habituado com as tecnologias, os recursos tecnológicos podem transformá-lo um Fascinado a partir do momento que passar a vangloriar os aparelhos que possui, se o meio onde ele estiver inserido super valorizar o último lançamento do mercado.

Uma comparação bem simples: na sociedade contemporânea é um hábito a utilização de roupas desde bebê, mas a medida que amadurece, uma pessoa pode querer se firmar socialmente por meio de suas vestimentas. Sendo assim, um Evoluído pode adotar essa postura se perceber o valor que esses recursos digitais os proporciona socialmente. Seu consumo será voltado a mostrar aos demais o poder que ele tem utilizando o modelo X da marca Y de celular, por exemplo.

Tomando como base a fase de rebeldia do adolescente, um Evoluído pode vir a se tornar um Ferramentado pelo simples fato de discordar dos hábitos dos pais Emparelhados.

Por fim, o caminho mais óbvio para o Evoluído parece se tornar o Emparelhado, a medida que, conforme amadurece, vai encontrando cada vez mais funções nos recursos digitais, facilitando suas tarefas e transformando os aparelhos em extensões de seu corpo.

Em todos esses exemplos, focamos a transformação do Evoluído como um caminho para avaliar as diferentes formas de se conhecer o indivíduo e suas capacidades de se transformar em diferentes perfis.

Porém, o ponto de partida pode ser qualquer um dos outros. Por exemplo, um Fascinado pode passar a utilizar os recursos digitais após um processo de aprendizado e se tornar um Emparelhado. Do mesmo modo, um Imerso, por se inserir em um meio social de super valorização da máquina pode adotar um comportamento Fascinado para ascender socialmente.

Ainda é importante salientar que, visto a quantidade de recursos digitais, redes sociais e meios de interação, nunca deve ser descartada a possibilidade de um mesmo indivíduo ser um mix de todos os perfis traçados pela DM9DBB.

O consumidor pode ser o Fascinado de um recurso, o Emparelhado de um aplicativo de trabalho, o Imerso em uma rede social e um Ferramentado em seus hobbies de final de semana, por exemplo.

Não é errado dizer, por exemplo, que estamos em um grande “boom” do perfil de Imersos. Quantos de nossos avôs e avós não estão criando seu perfil em uma rede social pela primeira vez? E as correntes de “bom dia” do WhatsApp? Inconscientemente não seria uma forma de persona criada por quem está se identificando com a internet e ponto de querer atrair cada vez mais cativos de seu perfil?

Os usuários dos recursos digitais estão ganhando tempo ao manter contato com muito mais pessoas do que conseguiam antigamente. Numa sociedade que tem a necessidade de se comunicar, isso é um ganho de valor incalculável.

Mas por quanto tempo estes Imersos continuarão com essa postura? Quanto tempo vai levar para o senhor do “bom dia” do WhatsApp aprender a utilizar as ferramentas de modo que não consiga viver sem elas? Ou quanto tempo vai levar para começar a se promover socialmente a partir da tecnologia que tem usado?

Cada indivíduo tem seu tempo, mas os profissionais de marketing devem estar atentos a estas mudanças.

O marketing é visto como a tarefa de criar, promover e fornecer bens e serviços a clientes, sejam estes pessoas físicas ou jurídicas. (…) Os profissionais de marketing envolvem-se no marketing de bens, serviços, experiências, eventos, pessoas, lugares, propriedades, organizações, informações e ideias (KOTLER, 2000,p. 25), ou seja, estão altamente envolvidos em todos os processos de consumo de uma empresa.

Se este profissional quer mirar no perfil digigráfico do futuro, o começo deve ser buscar no passado quais processos de compra se assemelham a tendência do crescimento dos recursos naturais de hoje em dia.

Em seguida, o caminho deve ser comparar e colocar na balança as semelhanças e as particularidades do consumidor de hoje.

Por fim, estudar seu público-alvo a fundo, aspectos gerais e também as características individuais que tornam seu consumidor único e avaliar as mudanças e as diferentes personas que ele assume em cada papel social que pratica, fazendo dos perfis digigráficos uma ferramenta que ajuda a compreender as diversas maneiras com que ele encara o mundo tecnológico.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AGENCIA DM9DDB. Perfis Digigráficos. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=zz6oRlKQhy8. Acesso em: 05 set. 2017.

BLACKWELL, Roger D.; MINIARD, Paul W.; ENGEL, James F. Comportamento do Consumidor. 9ª. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005.

KOTLER, Philip. Administração de Marketing – 10ª Edição, 7ª reimpressão – Tradução Bazán Tecnologia e Lingüística; revisão técnica Arão Sapiro. São Paulo: Prentice Hall, 2000.

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